segunda-feira, 23 de junho de 2014

Toda a cerimonia de fazer tudo certo, não tinha mais nenhum significado para mim. Os sonhos foram realizados e nada parecia ser real.
Os planos tão almejados, os desafios tão marcantes.
Tudo.
Nada tinha tanta paizão.
Meus dias se tornaram os mesmos.
Não sabia mais qual caminho seguir.
O futuro parecia tão distante.
E o medo tão presente.
Minhas crenças desaparecem.
A fé se tornou algo impossível.

sábado, 3 de maio de 2014

Tudo!

Meus dedos brincavam entre os fios dos seus cabelos, embaraçados, deitados do lado direito do colchão.
Seu corpo descoberto, mostrava a tatuagem antiga, feita no calor do momento e que demostrava toda uma história.
Meus dedos subiam e desciam suas costas, o arrepio, mostrava diante dos pelos erguidos. Seu corpo estremecia, mas o sono era pesado demais para ter alguma outra reação.Eu sabia de cor toda as manchas e pintas que decoravam seu corpo.
Meu sorriso estampado atrás de todo o seu monte estirado no colchão velho da nossa nova cama de casal,
ria de um ronco mais alto.
Eu estava perdida em pensamento,sentindo apenas o novo shampoo em seus cabelos, eu ia direto para uma realidade que eu jamais desejei. Uma realidade que eu tinha medo, uma verdadeira covarde diante da felicidade. Eu era fraca demais para imaginar sentir o que eu sentia hoje.
Eu me lembro bem de todos os nossos momentos, do nosso primeiro encontro, do primeiro sorriso, de você caminhando com o óculos escuros dizendo "Oi, você está aqui faz tempo?" "Não, acabei de chegar". Mas não era verdade, eu tinha chegado faziam 15 minutos, mas eu não queria parecer ansiosa.
Eu não queria aparacer tantas coisas. Mas, com o tempo, eu pude demostrar meus medos, minhas fraquezas. Toda a covardia desapareceu, e eu consegui ser totalmente verdadeira.
E agora, seu corpo estendido de uma maneira confortável, significa toda a luta por algo sincero.
E nada fazia sentido se eu não tivesse você ali deitado.
Nada.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Tereza 1949 - parte 3

"Querido,você não vai vir pra cama?"

"Já vou,já está acabando o filme."
Eu já estava quase sonhando,quando senti seus braços se envolverem nas minhas costa se aconchegando entre as curvas do meu corpo deitado em posição fetal.

"Tá acordada?"

"Hum."

"Posso te contar uma coisa?"

"Hum."

"Eu odeio esses vizinhos."

"E quem você não odeia?"

"Ah,eles vieram perguntar porque depois de 3 anos de casados nós não temos um filho."

"E o que eles tem com a nossa vida?"

"Eu os mandei à merda."
Eu me virei de frente pra ele,o bafo da pasta de dente de hortelã ardia em meu nariz e seus olhos azuis brilhavam na escuridão como duas pedras preciosas.

"Eu não quero ter filhos agora. E você?"

"Ah,até que seria legal."

"Sei,você só quer calar a boca dessa gente."

"Não,eu só queria ter um filho seu."

"E como vamos ter um filho?Não temos nada nosso.Estamos nessa pensão há meses,Vicente."

"Eu sei,eu sei."

"Você sabe e mesmo assim quer ter um filho nessas condições."

"Um filho não precisa ser um problema."

"Não estou dizendo que é um problema",eu disse enquanto levantava.

"Onde você vai?"

"Vou no banheiro,posso?Toda essa conversa me deu vontade de fazer xixi."

"Como pode..."disse Vicente também levantando e encostando na parede do banheiro.

"Como pode o que?"disse sentada no vaso.

"Como você pode ser tão diferente dessas mulheres de hoje em dia,que só pensa em ter filhos e agradar
seus maridos?"

"Eu só não quero ter filhos agora,meu amor."

"Eu sei."

"Ah,mas eu agrado muito bem meu marido,isso sim".

"Isso é verdade."

Vicente,estava em cima de mim,quando o despertador tocou ás 4:30 da manhã,nossos gemidos baixinhos abafados pelo toque do despertador foram aumentando,os urros de prazer tomaram conta daquele quarto velho da pensão mais barata da cidade.As paredes rosadas,os azulejos azuis do banheiro e o tapete vermelho no chão,sentia a paizão que saia dos meus gemidos.Eu encarava aquele olhos azuis de tal maneira que senti o momento em que ele despejou em mim tudo o que sentia naquele momento.Vicente acendeu seu velho cigarro e ficou sentado no canto da cama me observando enquanto eu corria pro chuveiro tomar um banho para poder ir trabalhar.

"Vou ir fazer o café."gritou Vicente do quarto que ficava há poucos metros do banheiro,tivemos sorte em achar uma pensão que não tivesse banheiro compartilhado.

"Que horas você entra hoje?"disse enquanto tirava a espuma do sabonete do meu corpo.

"Só as 10 horas,amor."

Sentamos na mesa redonda no canto da parede rosadas,Vicente me serviu o café e pegou as torradas no canto da pia da cozinha.Era um quarto pequeno,mas tinha tudo o que precisávamos. Uma pia pequena,um fogão de duas bocas,uma cama,um pequeno guarda-roupa e um banheiro.

"Até quando você vai ficar nessa empresa?

"Ah,até um conseguir o suficiente pra gente juntar e comprar nossa casa."

"Mas isso é coisa de homem fazer."

"Você tem o dinheiro todo?"

"Ainda não,ainda não."

"Então,porque eu não posso ajudar?" Levantei, coloquei a xícara na pia enquanto cantarolava uma música "In the Mood" de Glenn Miller.Beijei a testa de Vicente,mas ele me puxou e me deu um super beijo enquanto acariciava levemente minha pele por baixo da velha saia do uniforme da empresa.


"Tá,né. Bom trabalho."

"Trás as coisas pro jantar?"

"Tá."

"Te amo."

Sai mais uma vez entre aquelas escadas daquela velha pensão. Cumprimentei seu Alberto,o dono da pensão que ficava o dia todo naquilo que ele insistia chamar de recepção.

"Bom dia."

"Bom dia,Tereza"

A melodia de "In the Mood" tocava em minha mento quando simplesmente senti minha bolsa cair no chão junto com meu corpo.

"Tereza?Você está me ouvindo?Tereza me responde."gritava Vicente enquanto me levava nos braços de volta para o quarto.

Eu abri os olhos lentamente e senti todo aquele quarto rodar,rodar e rodar.

"O que aconteceu?"eu disse tentando levantar da cama.

"Acho que você desmaiou,seu Alberto veio correndo me avisar que você tinha caído lá no chão da
recepção,ele disse que você tinha morrido."

"Ah,que velho dramático,eu estou bem."

"Não,você não está,você está pálida demais."

"Eu estou bem,já disse." Tentei levantar,mas a tontura não deixou.

"Tereza,você está sangrando".

Olhei entre minhas pernas e uma poça de sangue quente saia entre elas.
"Mas, o que..."

"Vamos para o hospital agora."

Vicente me colocou no carro,pegou o resto do seu pagamento,acendeu um cigarro e sai com o carro para o hospital.

Esperamos algumas horas até que os médicos chegassem para dar alguma notícia.

"Eu sinto muito"disse o médico em voz baixa pra Vicente no canto do quarto.

"Você sente muito o que?" berrei para que me respondessem rápido.

Vicente se ajoelhou na minha frente,com os olhos cheios de lágrimas,passou a mão entre os meus joelhos,entre os fios do meu cabelo,olhou nos meus olhos e não disse nenhuma palavra.

"Me diz alguma coisa,por favor.Eu não sei o que esse silencio que dizer."

"Senhora Tereza..."

"Fala logo."disse aos berros para que me dessem alguma notícia.

"A senhora estava grávida,eu sinto muito."

"Eu o quê? Grávida? Eu? Como? Sente muito?"

Vicente me abraçou de um jeito que eu nunca tinha sentido em 7 anos convivendo com ele.

"Eu sinto muito,meu amor."

"Mas,..."

"O médico disse que você perdeu um bebê de dois meses."

Pela primeira vez na vida,eu senti uma dor no meu peito,uma dor maior que todas as dores do mundo,e pela primeira vez eu chorei por alguém que não conheci.Eu simplesmente chorei e chorei.Não só pelo dor de ter perdido um bebê,mas pela dor de querer ter um filho em minhas mãos naquele momento,sorrindo pra mim,me acordando nas noites por causa das cólicas.Eu só queria que ele ou ela estivesse ali comigo,e que o aborto espontâneo,como disse o médico, não tivesse acontecido.Vicente me pegou pelas mãos e me levou até o carro.Nós dois ficamos ali,em silêncio total.

"Eu sinto muito"disse Vicente segurando minha mão.

"Eu sei."

"Vai ficar tudo bem,eu prometo."

Deitei no seu ombro,e ali fiquei.Vicente dirigiu durante uns 45 minutos até entramos numa rua estreita,perto da rodoviária.Eu estava apoiada na janela com o cigarro de Vicente na mão esquerda olhando as árvores passarem lentamente.A fumaça parecia fazer todo o sentido do mundo naquele momento. Rua 15,dizia a placa azul no canto da parede do muro de uma casa amarela.

"Tá vendo aquela casa com as rosas no jardim?"disse Vicente parando o carro na frente da casa.

Era uma casa simples,tinha um jardim com algumas rosas e uma varanda meio suja.Respondi "Sim" com a cabeça.

"Tá vendo essa chave?"

Respondi outra vez apenas com o movimento de minha cabeça,falar algo naquele momento parecia a coisa mais difícil em minha vida.

"Essa casa,Tereza,é a nossa casa,essa chave eu peguei ontem com o antigo dono.Ele aceitou minha oferta há alguns meses,e me entregou a chave da casa ontem."

Meus olhos se encheram de lágrimas,a dor no peito pareceu aumentar,mas a felicidade pareceu existir naquele momento e os olhos azuis de Vicente,eram as únicas verdades que faziam sentindo naquele momentos e apenas meus soluços ecoaram dentro do carro.

"Vai ficar tudo bem,minha querida."

"Promete?"

"Prometo."



domingo, 3 de novembro de 2013

III.

Seus gritos de dor eram ouvidos em todas as dimensões, e todo me condenavam por não conseguir ajuda-la
Mas, eu não sabia mais o caminho de voltar, as suas dores se tornaram as minhas, a sua vida se impregnou na minha, não havia mas caminho de volta.
As dimensões eram guiadas entre medo, coragem e dor.
E apenas o seu rosto, era o que me guiava diante a minha vida.
Os seus segredos e mentiras foram descobertos, mas eu ainda continuava ali. Ninguém mais estava ali. Apenas eu. Apenas o meu medo, a minha dor e a minha esperança.
Os dias dançavam na nossa cara, esfregando a infelicidade de viver diante da hipocrisia humana.
Ninguém mais estava ali, só nós duas, só a nossa vontade de conseguir vencer.
Mas, você começou a se perder no meio de tanta luta e minhas batalhas começara a ficar mais pesadas, e eu não conseguia te dar as mesmas forças que eu te passava no começo. Tudo começou a ficar mais pesado, mais pequeno. O meu medo ia aumentando, e a sua vontade diminuindo.
Eu conseguia enxergar o seu verdadeiro reflexo dentro do espelho antigo, mas você ainda estava perdida, lutando conta si mesmo, e lutando contra os meus medos.
A sua dor e os seus medos, me acordavam de madrugada, me fazendo te livrar daquele pesado real.
Mas, talvez eu fosse o seu medo o seu pesadelo, a sua pior dor, a sua pior fraqueza.
Eu sei, eu sou responsável por toda a desgraça desse maldito labirinto que você acabou se perdendo.
(...)

sábado, 2 de novembro de 2013

G.

Eu conheci um cara.
Ah, ele tinha óculos escuros no rosto, uma camisa xadrez e um all star vermelho meio sujo.
Ele mascava um chiclete, que tempos depois, descobri que era para esconder o cheiro do cigarro.
Ele estava nervoso, mas estava fingindo não estar. Mas, eu vi que suas mãos estavam suadas, quando de surpresa, resolvi toca-las no meio do shopping vazio, por ser época de natal.
Ele era tão misterioso, um labirinto que eu sabia que iria me perder ai pra sempre. Mas, não desses misteriosos clichês de hoje em dia, porque ele me contou sobre sua vida inteira, mas eu sabia que não estava tudo ali. E eu sabia, que aquele cara não sairia tão rápido de perto, ele não queria sair dali e eu não deixava ele sair.
Ah, esse cara, mesmo falando as maiores besteiras do mundo, falando de sexo, drogas e rock 'n roll com a maior naturalidade do mundo, me conquistou de um jeito que só ele soube fazer.
Não foi só pelo seu beijo ter se encaixado perfeitamente com os movimentos dos meus lábios desde que as luzes do cinema apagaram, mas foi por ele ter segurado na minha mão. Sim, foi por esse motivo. Mesmo ele não acreditando nisso, porque desde de quando esse cara segurou na minha mão, ele nunca mais soltou. O mundo nos separou, nos afastou, mas sua mão ainda junta a minha. Me apoiando e me assegurando de que tudo ficaria bem, mesmo quando nem ele acreditava.
Eu conheci um homem,
na verdade eu cresci junto com esse homem. Eu me descobri mulher e ele amadureceu completamente para me ajudar a me sentir mulher. Ele seguiu seus sonhos, deixou o cabelo crescer e decidiu trabalhar. Me apresentou o mundo e me deixou entrar em seu mundo. Descobri segredos, defeitos e mentiras. Mas, ele ainda segurava a minha mão, só que de um modo diferente, era mais intenso. Era intenso, porque finalmente, o "Pra sempre", fazia sentindo na minha vida e na vida desse cara, desse homem. Fazia sentido, toda a nossa história, todas as nossas chances, todos os nossos erros e fazia sentido todo o nosso amor.

domingo, 29 de setembro de 2013

E você tinha me ajudado tanto,
mas no final, fui eu que esfaqueei suas costas,
e deixei você sofrendo,
e eu ria de seu sangue escorrego pelo chão.
Você me pediu tanta ajuda,
mas eu não podia mais ajudar.
Era maior que meus medos,
eu não podia.
Não espero seu perdão,
não espero e nem esperarei nada em troca.
A faca ainda está com seu sangue,
jogada atrás da comoda.
Mas você tinha me ajudado,
eu simplesmente, preferi estragar tudo.
Para parecer mais fácil hoje.
Seu nome já não me importa mais,
mais ainda doí.
Ah, como dói.
Dói, saber que te deixei ali sem nenhuma força
para tentar de novo.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

-Nossa como você engordou nos últimos tempos. Toma cuidado viu, você já viu se não está grávida? A gente nem percebe essas coisas, mas quando vê, está com uma criança no colo. Toma cuidado viu.

E o silêncio tomou conta da mesa de jantar naquela noite, a tia que morava no interior tinha chegado naquela tarde e passaria o resto do final da semana no quarto dos fundos.

"Sim, eu engordei mesmo. Estou namorando há algum tempo, e realmente, comecei a comer mais. Eu gosto de comer, e daí? Gosto de encher o prato e comer como se fosse minha última refeição. E não, não estou grávida, não é porquê a senhora ficou grávida jovem que eu também vou ficar. Eu me cuido e não sou nenhuma vadia que fico abrindo as pernas por ai, como você ficava quando tinha minha idade. Eu já estou na porra da faculdade, consegui um maravilhoso estágio e não estou grávida. Agora só porque engordei alguns quilos, a senhora vem querendo falar merda. Na boa, né?"

"Mas isso é jeito de falar com sua tia, menina?"

"Ah, e se eu não falar quem vai falar? A senhora mesmo fica falando mal dela quando ela vai embora. Que ela não ajudou nem a lavar a louça, que não perguntou se estava faltando alguma coisa..."

"Eu não tive filho jovem porque eu quis. A sua mãe bem sabe o quanto foi difícil aquele momento em minha vida."

"É claro que foi. A senhora teve um filho com 14 anos de idade, uma filha com 16, um outro filho com 19 e por fim, um outro filho com 22 anos. É claro que foi difícil, só de pensar em ter um filho nessa idade, já me dá um pânico tremendo. E depois vem falando de mim, só porque engordei alguns quilos."

"Nossa, nunca imaginei que alguém como você jogaria na cara os meus filhos".

"Não liga não, irmã. Sabe como são os jovens de hoje em dia."

"Hoje em dia? Ah, na boa. Vê se tem alguma amiga minha grávida na minha idade. Não, não tem. E ainda colocam a culpa na gente."

"Olha aqui, não vou admitir ninguém falando assim de mim não"

"Ah, agora eu sou a errada da história. É isso mesmo? Você vem na nossa casa sem avisar, não ajuda em nada e ainda vem querendo dar lição de moral? Me fala, onde estão seus filhinhos nesse momento? Viu, nem você sabe onde estão."

"Cala boca, menina."

"Filha, acho melhor você ir para o seu quarto"

"Ah, com o maior prazer. Vou ser alguém na vida, e tentar ajudar os outros sem atrapalhar ninguém. Diferente de algumas pessoas, que vem na casa dos outros falar merda."


-Hey,Ana. Levanta essa cabeça da mesa, ficar no mundo da lua não trás dinheiro pra dentro de casa. Que coisa feia,menina. Nem me respeita com sua única tia. Olha Sônia, eu não sei onde esses jovens de hoje vão parar, viu? Não respeitam mais ninguém. Vai Ana, senta direito e me passa o panela com o arroz.