Tereza pegou o mesmo ônibus ás 7h da manhã , para levar o neto na escola , um menino gordinho uniformizado e com apenas 5 anos. Matheus , ia contando sobre seus sonhos daquela noite, e a avó toda desarrumada, pois , de novo, tinha esquecido de colocar o relógio para desperta, era já a quarta vez que aquilo acontecia em uma semana. Tereza estava apenas com o rosto lavado e a roupa era a mesma da noite passada "Nem parece pijama" pensou enquanto levantava assustada e correndo para o quarto do neto.
O menino continuava contando seus sonhos , e ela fingia que escutava apenas balançado a cabeça quando ele perguntava alguma coisa. Estava preocupada com aquele maldito trânsito , que estava mais parado do que a vida dela. Já estavam descendo , quando Matheus perguntava o porque que não levará lanche esses últimos dias. Tereza correndo contra o tempo , puxando o neto pelo braço , chegou na escola quando já estavam fechando o portão . O porteiro ,acostumado com aqueles atrasos , esperou o menino entrar e fechou o portão.
Ela ficou ali parada , com a respiração ofegante , com seus chinelos velhos e cabelos bagunçados, "Não pude nem dar um beijo de despedida" , pensou enquanto dava o sinal para o ônibus.
Parecia que todos á olhavam , enquanto sentava no banco preferencial. " Não sei porque ficam observando uma velha descabelada", resmungava mentalmente , encarando cada olhar.
Faltavam dois pontos para sua parada , quando Tereza apertou aquele botão laranja para descer. " Já que meu médico pediu que eu caminhar um pouco , acho que essa distância ajudará meu pobre coração", pensava enquanto descia os degraus do ônibus. Mas o motorista estava com pressa, tinha que terminar seu trabalho e estacionar no pátio ás 8:30 e já eram 8:20 da manhã . Acelerou , antes que Tereza estivesse totalmente com os pés na calçada.
Tereza caiu de joelhos e ralou todas as partes descobertas de seu corpo "Por isso eu não faço caminhada" , pensou quando viu seu sangue no chão. Uma mão velha segurou sua cintura e a ajudou ficar de pé.
Era um senhor , talvez tivesse 77 anos , usava uma boina xadrez verde, um óculos com formato antigo ,tinha catarata aguçadas e também estava de chinelo. Mas o que o velho não pode perceber , é que aquela senhora caída aos seus pés , ainda carregava os mesmos olhares apaixonados que o encarava há 50 anos atrás. E a pobre descabelada , agora com varias partes do corpo raladas , não conseguiu reconhecer que por de trás daqueles óculos , daquela boina e daquela velha barba branca , ainda existiam aquelas pobres promessas de amor , que tanto a engaram, jurando o tal amor eterno no calor daquele tempo antigo , e que ainda era tão presente nos sonhos , nos dias , nas noites , nas insônias e naqueles copos de vinhos baratos que Tereza usava para tentar dormir.
terça-feira, 23 de julho de 2013
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Studio 730
1.
Então decidi responder aquele convite que antes parecia tão assuntador. Relei a mensagem no meu celular que dizia "Vem aqui, só um pouquinho, por favor".Disquei o número, que sempre esteve decorado em minha memória,e aquela voz rouca e entusiasmada atendeu. -Você vem?
-Vou, mas acho que estou perdida.
-Como?A cidade é tão pequena e não tem como errar o caminho, vai seguindo minhas informações e já já você vai estar aqui.
"Me mudei pra cá a pouco tempo e já estou indo atrás dele de novo, que merda! Mas ele é a única pessoa confiável que eu conheço aqui perto, já que aquele idiota me deu o pé, preciso de gente inteligente pra conversar e ele sempre me fez rir, então é só por isso que eu estou indo lá. Entendeu coração? Nada de aprontar comigo... vamos lá, e se acalme menina!E ele namora agora também, então ta tudo bem"
O coração acelerado, os carros passando rápido na avenida do lado,os quarterões passando, a casa chegando mais perto.Subiu as escadas, entrou pela porta de ferro e se deparou que dali pra frente sua vida não seria mais a mesma.
-Ae, você conseguiu, não falei que era fácil chegar aqui?
-Haha, verdade.
E ele veio de um modo tímido me abraçar,com um sorriso no rosto e um certo nevrosismo.
"Droga, ele continua bonito, e agora eu abraço também?Eu cumprimento? Droga!"
-Então, você se mudou pra cá.
-É, na semana passada.
-Então vai poder vim me visitar mais vezes ?
-Talvez.
-Vem, vou acender um cigarro.
E seguiram para a varanda.
-Nossa é legal aqui.
-Eu sei, você era pra ter vindo aqui há muito tempo atrás, não veio porque não quis.
-É, eu tinha uma imagem totalmente diferente daqui.
E os olhares envergonhados, não duravam dois minutos se encarando.
E eu, nunca falei tão rápido em toda minha vida, disse sobre o outro cara, sobre o curso que estava fazendo e o quando estava odiando ter mudado de cidade.
E ele encarava cada palavra que eu dizia, como se fosse a coisa mais importante de sua vida. Ele sempre prestava atenção no que eu dizia, mas dessa vez era diferente, nós estávamos diferentes e felizes de estarmos ali.
-E quem diria, você namorando sério.
-Pois é.
-Você a ama?
(Silêncio)
O celular dele tocou em cima do balcão e quebrou todo o gelo que estava naquela varanda cheia de bitucas de cigarro.
"Acho que seria estranho eu limpar essa sujeira toda"
Ele correu pra atender.
"Ah, você vem que horas? Só tenho uma hora de almoço, então não demorava ,porra. Te encontro daqui a pouco então"
Desligou o celular, e me chamou pra sentar naquele sofá super vermelho, que por algum motivo me lembrou uma reportagem que eu vi no Linha Direta quando era pequena que falava sobre a Casa da Luz Vermelha,e eu ri sozinha nos meus desvaneio .
Sentei e fiquei observando ele mexer em um computador que ficava dentro desse balcão, e ele riu sozinho e seguiu pra sentar ao meu lado.Na verdade ele não sentou, praticamente se jogou em cima daquele sofá da Casa da Luz Vermelha. E eu fiquei imóvel, não sabia como lidar com aquela situação, pois a última vez que o tinha encontrado, não queria nem ao menos encarar aqueles malditos olhos castanhos, então virei as costas e fui embora.Mas dessa vez era diferente, senti a respiração dele em cima de mim, senti que de alguma forma ele estava mais nervoso e ansioso que eu.
-E sua namorada, como conheceu?
-Ah, então, uma amiga nos apresentou e tal.
-Entendi.
-Mas não estamos muito bem, sabe.
-Ah, sério? Por que?
-Ela não é você.
E meu coração nunca bateu tão rápido, senti meu rosto ficando vermelho e não consegui dizer nenhuma palavra.
-Vem, vamos almoçar.
-Ah, não dá, eu tenho que ir embora.
-Da sim, é uma horinha, vai ser rápido e quero que você conheça alguém.
-Tá bom.
Levantamos , e seguimos para a estação de ônibus que ficava há uns vinte minutos de distancia daquela casa amarela.
2.
-Então, vou te apresentar a uma amiga, que conhece nossa história .
-Você conta sobre a gente ?
-É claro, é uma história boa de ser lembrada.
-Depende, tirando as coisas ruins, ela é boa mesmo.
-Não, se não tivesse a parte ruim não teria graça nenhuma.
E nos olhamos mais uma vez, de uma jeito meio envergonhado,meio constrangidos mais felizes por aquele momento.
-Vamos logo, tenho só uma hora de almoço e você vai querer ficar passeando no shopping como sempre.
-Ah, eu não tenho culpa se você trabalha.
Disse ele, a uma menina que estava encostada na parede, esperando há uns minutos.
-Olha, você, até que fim te conheci.
A menina me disse cumprimentando com um abraço apertado, ela era mais baixa que eu , então tive que me encurvar um pouco para acompanha-la naquele abraço.
Eu não disse nada, apenas os acompanhei naqueles passos rápidos e descontraídos
Almoçamos alguns hambúrgueres, caminhamos pelo shopping, olhamos algumas vitrines.
-Nossa, eu tenho que ir embora, já passou uma hora e meia, vamos agora.
E fomos em direção a casa amarela. Mas não os acompanhei nessa agora, precisa ir para o curso que odiava, encarar aquelas pessoas que me ignoravam ou que só falavam comigo por algum interesse.
-Eu vou ter que ir.
-Já? -disse a menina
-Pois é.
-Então ta bom. Depois nós falamos.
Me despedi de todos com um simples beijo no rosto, atravessei a rua e segui em direção a calçada movimentada.
"Caramba, eu consegui encontrar com ele tranquilamente, e ainda conheci uma amiga dele.Bom, isso é diferente, mas acho que poderemos ser amigos, tentar desse jeito, talvez só desse jeito de certo.
3.
Uma semana se passou, desde aquele reencontro do passado. Mas, continuamos conversando. Conversamos sobre tudo, até dei conselho sobre a atual namorada, sobre o trabalho e sobre seu futuro, sempre tive essa intimidade com ele, de contar tudo, critica-lo e mesmo assim continuas formalmente sobre tudo, exatamente tudo.
Resolvemos assistir um filme, ele na casa dele e eu na minha, mas com conversas de sms durantes algumas cenas.
O filme era "O fabuloso destino de Amélie Poulain", assistimos até o fim , uma certa emoção invadiu meu coração, e então ele me disse que iria seguir o que o vizinho e pintor disse para Amélia, que era exatamente o seguinte : "Então, minha querida Amélie, você não tem ossos de vidro. Pode suportar os baques da vida. Se deixar passar essa chance, então, com o tempo, seu coração ficará tão seco e quebradiço quanto meu esqueleto. então, vá em frente, pelo amor de Deus."
Alguns dias se passaram , e não nós falamos durante esse tempo.
Um dia, voltando pra casa, depois do curso maldito, descendo a rua da minha casa, recebo algumas mensagens. Ao le-las ,fiquei parada não conseguia me movimentar, os carros buzinando para eu sair do meio rua, mas nem se quer me movimentar para ir para casa , eu conseguia.
"Eu preciso falar com você. Urgente".
"Eu fiz uma coisa, e foi por VOCÊ"
"Por favor, fica comigo dessa vez"
"Me liga!"
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Um pouco de indelicadeza
-Mas que porra,você precisa ser tão grosso quando brigamos,precisa ficar dando exemplos que eu não quero saber .Eu não quero saber se você comeu aquele mina e que tirou fotos durante o sexo, foda-se vocês, eu só não suporto essa implicância sua de me magoar desse jeito.
Saiu batendo a porta do quarto, enquanto sentia o frio do piso subindo pelo seus pés descalços.
-Eu dou esses exemplos por que você me provoca.Você mentiu pra mim,caralho.
Disse ele abrindo a escancarando a porta, com o corpo suado e com a samba canção vermelha.
-Eu não menti pra você, eu NUNCA menti pra você.
-Então por que você disse que tinha transado com aquele maldito aquele dia?
-Foi pra te provocar você não percebe, porra. Enquanto você estava lá me contando sobre suas noites de putaria com aquelas vadias, eu precisava de uma desculpa para não ir embora de novo.
-Ah, então você quis ir embora de novo?Você pede a verdade, e quando eu conto, você fica brava. Assim não dá.
-Não,eu não queria ir embora, mas você sempre conta os detalhes demais, você até contou as posições que fizeram , e não sei por qual motivo, isso doí. E não era pra doer, eu nem estava com você.Mas,mas,mas...
Ele acendeu um cigarro no meio da sala , e ela se perdia em seus pensamentos, já que certos detalhes não saiam de sua cabeça.
-Mas sabe, por um lado isso é bom
-O que? . Disse ela encarando ele fixamente nos olhos,enquanto os dela estavam cheio de lágrimas que não caiam.
-Você está chorando?
-Não,claro que não.
-Claro que está, você é chorona pra tudo,vem cá.
-Não, porra, eu odeio você, e odeio o jeito que fala quando está bravo, que merda você iá dizer?
-Idiota
-Eu vou embora.
Ela disse entrando no quarto e procurando suas roupas jogadas no chão.
-Para de ser chata,estamos conversando. Você mentiu e eu fui exagerado te contando os detalhes, agora temos que terminar com tudo isso, me escuta! Por um lado foi bom saber que você não fez nada com aquele babaca...
-Eu não sou desse tipo de menina que vai indo pro quarto com qualquer um.
-Eu estou falando , ME ESCUTA
-NÃO GRITA COMIGO
-Eu sei que você não é qualquer uma, por isso fui tirar satisfações aquele dia com ele,por que você não é qualquer uma
-Hm
-Ta brava ainda?Você mentiu e você fica brava?
-Sim, eu pelo menos não fiz nada , você que me contou aquelas histórias malditas com aquelas meninas
-Mas você me perguntou,porra.
-Mas eu não queria saber tudo,saber os detalhes
-Ta bom,ta bom,ta bom
-Enfim, me desculpa por ter falado que eu dormi com ele, sendo que eu não tinha dormido
-Tá vendo, você que mentiu e você que fica brava comigo , não te entendo.
-Eu já pedi desculpas
-Tá bom
-Tá bravo?
-Um pouco,mas daqui a pouco passa
-Por que você sempre me trata desse jeito quando fica bravo?
-É meu jeito, acostume-se
-Hm,é dificil
-Eu sei, eu estou tentando melhorar, mas eu só quero ser sincero com você e ser verdadeiro entende?
-Eu sei disso
-Então...
-Então o quê?
-Por que mentiu pra mim?
-Eu não sei, ciumes talvez , mas já pedi desculpa
-Ta bom
-Idiota
-Tonta
-Me desculpa?
-Desculpo
-E eu também te desculpo por ser grosso,ignorante,chato e insuportável comigo
-Ah, mas no fundo você sabe que eu te amo, né?
-Sei, e eu também te amo
-Sua bicha
-Culpa sua
-Vem cá...
Saiu batendo a porta do quarto, enquanto sentia o frio do piso subindo pelo seus pés descalços.
-Eu dou esses exemplos por que você me provoca.Você mentiu pra mim,caralho.
Disse ele abrindo a escancarando a porta, com o corpo suado e com a samba canção vermelha.
-Eu não menti pra você, eu NUNCA menti pra você.
-Então por que você disse que tinha transado com aquele maldito aquele dia?
-Foi pra te provocar você não percebe, porra. Enquanto você estava lá me contando sobre suas noites de putaria com aquelas vadias, eu precisava de uma desculpa para não ir embora de novo.
-Ah, então você quis ir embora de novo?Você pede a verdade, e quando eu conto, você fica brava. Assim não dá.
-Não,eu não queria ir embora, mas você sempre conta os detalhes demais, você até contou as posições que fizeram , e não sei por qual motivo, isso doí. E não era pra doer, eu nem estava com você.Mas,mas,mas...
Ele acendeu um cigarro no meio da sala , e ela se perdia em seus pensamentos, já que certos detalhes não saiam de sua cabeça.
-Mas sabe, por um lado isso é bom
-O que? . Disse ela encarando ele fixamente nos olhos,enquanto os dela estavam cheio de lágrimas que não caiam.
-Você está chorando?
-Não,claro que não.
-Claro que está, você é chorona pra tudo,vem cá.
-Não, porra, eu odeio você, e odeio o jeito que fala quando está bravo, que merda você iá dizer?
-Idiota
-Eu vou embora.
Ela disse entrando no quarto e procurando suas roupas jogadas no chão.
-Para de ser chata,estamos conversando. Você mentiu e eu fui exagerado te contando os detalhes, agora temos que terminar com tudo isso, me escuta! Por um lado foi bom saber que você não fez nada com aquele babaca...
-Eu não sou desse tipo de menina que vai indo pro quarto com qualquer um.
-Eu estou falando , ME ESCUTA
-NÃO GRITA COMIGO
-Eu sei que você não é qualquer uma, por isso fui tirar satisfações aquele dia com ele,por que você não é qualquer uma
-Hm
-Ta brava ainda?Você mentiu e você fica brava?
-Sim, eu pelo menos não fiz nada , você que me contou aquelas histórias malditas com aquelas meninas
-Mas você me perguntou,porra.
-Mas eu não queria saber tudo,saber os detalhes
-Ta bom,ta bom,ta bom
-Enfim, me desculpa por ter falado que eu dormi com ele, sendo que eu não tinha dormido
-Tá vendo, você que mentiu e você que fica brava comigo , não te entendo.
-Eu já pedi desculpas
-Tá bom
-Tá bravo?
-Um pouco,mas daqui a pouco passa
-Por que você sempre me trata desse jeito quando fica bravo?
-É meu jeito, acostume-se
-Hm,é dificil
-Eu sei, eu estou tentando melhorar, mas eu só quero ser sincero com você e ser verdadeiro entende?
-Eu sei disso
-Então...
-Então o quê?
-Por que mentiu pra mim?
-Eu não sei, ciumes talvez , mas já pedi desculpa
-Ta bom
-Idiota
-Tonta
-Me desculpa?
-Desculpo
-E eu também te desculpo por ser grosso,ignorante,chato e insuportável comigo
-Ah, mas no fundo você sabe que eu te amo, né?
-Sei, e eu também te amo
-Sua bicha
-Culpa sua
-Vem cá...
Uma espera boa...
10.
Os outros casais saindo pra jantar ou marcando aquele filminho básico no fim da tarde só para ter a companhia desejada do lado.As festas em família, a apresentação do rotulo "namorada" e "namorado" agradando os avós ,os tios e aquela tia que vive longe e sempre perguntava o por quê está solteira, todos sorrindo para a foto que está sendo tirada na mesa do almoço de domingo.A viajem de ano novo para a praia lotada e o novo casal juntos aproveitando cada momento.
Engraçado, nunca tive esses clichês, que todos esperam quando começam a namorar, e talvez seja esse um dos motivos de eu não querer desgrudar dele cada minuto.
Vivemos um tipo de "guerra", um tipo Romeu e Julieta, aquela coisa da família não aceitar, das criticas e brigas , MI MIMIS de sempre.
Mas, não vou mentir que não me cobro por não poder dar um relacionamento descente, pelo menos com aqueles almoços bobos de domingo, com discussões na mesa e com o final com todos na sala assistindo dança dos famosos.
Mas pra falar a verdade, minha família nunca foi tão grande nem tradicional para poder ter esses mimimis de família , já me acostumei na verdade.Filha de pais separados, que mora com os avós ,com a mãe e com dois cachorros salsichas.Nunca tivemos essa coisa de almoçar todos na mesa, ou do jantar pronto na hora.Sim, temos o natal, aniversário, dia das mães, dia dos pais e ano novo , com toda a formalidade que se espera de uma família,mas nada muito grande.
Agora, imagina , toda essa "tranquilidade" e não aceitarem o namoro da unica menina que existe na família , cômico, não?
Mas, ainda me sinto culpada, por não poder fornecer todo aquele clima de namoro, os filmes de tarde, a noite de sono em conchinha, a tal apresentação, exatamente tudo, exatamente, nada!.
Embora toda essa dificuldade, todos esses motivos para ir embora de vez, a necessidade de tentar dar certo se tornou maior que tudo.
Sabe, aquela coisa de cumprir com os planejamentos, de ver como será a primeira casa, os moveis, a espera do futuro .Isso tudo, pelo menos pra mim, diminui a preocupação de não ter a vida clichê de um casal , mesmo as vezes precisando um pouco desses momentos.
Mas, aquela voz rouca por causa do cigarro,quando me diz que ainda temos todo o tempo do mundo para vivermos tudo isso, me dá uma certa tranquilidade de apenas esperar pelo nosso momento .
Os outros casais saindo pra jantar ou marcando aquele filminho básico no fim da tarde só para ter a companhia desejada do lado.As festas em família, a apresentação do rotulo "namorada" e "namorado" agradando os avós ,os tios e aquela tia que vive longe e sempre perguntava o por quê está solteira, todos sorrindo para a foto que está sendo tirada na mesa do almoço de domingo.A viajem de ano novo para a praia lotada e o novo casal juntos aproveitando cada momento.
Engraçado, nunca tive esses clichês, que todos esperam quando começam a namorar, e talvez seja esse um dos motivos de eu não querer desgrudar dele cada minuto.
Vivemos um tipo de "guerra", um tipo Romeu e Julieta, aquela coisa da família não aceitar, das criticas e brigas , MI MIMIS de sempre.
Mas, não vou mentir que não me cobro por não poder dar um relacionamento descente, pelo menos com aqueles almoços bobos de domingo, com discussões na mesa e com o final com todos na sala assistindo dança dos famosos.
Mas pra falar a verdade, minha família nunca foi tão grande nem tradicional para poder ter esses mimimis de família , já me acostumei na verdade.Filha de pais separados, que mora com os avós ,com a mãe e com dois cachorros salsichas.Nunca tivemos essa coisa de almoçar todos na mesa, ou do jantar pronto na hora.Sim, temos o natal, aniversário, dia das mães, dia dos pais e ano novo , com toda a formalidade que se espera de uma família,mas nada muito grande.
Agora, imagina , toda essa "tranquilidade" e não aceitarem o namoro da unica menina que existe na família , cômico, não?
Mas, ainda me sinto culpada, por não poder fornecer todo aquele clima de namoro, os filmes de tarde, a noite de sono em conchinha, a tal apresentação, exatamente tudo, exatamente, nada!.
Embora toda essa dificuldade, todos esses motivos para ir embora de vez, a necessidade de tentar dar certo se tornou maior que tudo.
Sabe, aquela coisa de cumprir com os planejamentos, de ver como será a primeira casa, os moveis, a espera do futuro .Isso tudo, pelo menos pra mim, diminui a preocupação de não ter a vida clichê de um casal , mesmo as vezes precisando um pouco desses momentos.
Mas, aquela voz rouca por causa do cigarro,quando me diz que ainda temos todo o tempo do mundo para vivermos tudo isso, me dá uma certa tranquilidade de apenas esperar pelo nosso momento .
quinta-feira, 27 de junho de 2013
O medo,a desordem,a insegurança e um pouco de esperança.
E o medo,a desordem,a insegurança.Todos aqueles sentimentos voltaram quando eu encarava sua comida no prato que esfriava com o passar do tempo,a sua vontade de tentar mudar tudo e recomeçar algo que talvez nem fosse necessário.Minha vontade era de gritar,espernear,e perguntar o por quê você tinha ido embora,quando o seu papel principal era de nunca ter me abandonado.Mas eu me sentia covarde,por dar mais uma chance a toda aquela conversa fria e momentânea,e todo aquele sentimento,aquelas brigas,você se esqueceu de tudo aquilo?Ou finge tão bem quanto eu?.
Mas,a minha vontade,a minha inocência,ainda perdida,precisa de um pouco de você,então eu engolia aquela conversa,aquele papo sobre o tempo,sobre as pessoas envolta,sem entrar no tal assunto.Talvez eu ainda acreditasse em um final feliz,mas todo aquele vazio que foi aumentando com o passar do tempo,não seria preenchido tão fácil dessa vez.
Não é fácil,se questionar todas as noites,tentando imaginar o por quê da tal mudança sua,o por quê não cumpriu com seu papel,por que foi covarde e fugiu de mim.
Mas,eu ainda tendo relembrar dos momentos bons,das risadas,dos filmes,de tudo.Mas é tão difícil deixar tudo de lado e tentar criar uma nova realidade.Talvez um dia eu consiga,mas hoje,eu ainda me despeso de você com aquela vontade de jogar tudo na sua cara,mas me conforto com um beijo no rosto e um "fique bem".
quinta-feira, 13 de junho de 2013
9.
E ele se perdia nos próprios pensamentos,ele ria longamente das mentiras dos outros,inventava história,gostava do feijão em cima do arroz,preferia o sexo normal,acreditava fixamente no amor,dizia-se cavalheiro e antigo romântico,fumava de minuto á minuto,disfarçava o ciumes com antipatia,fingia não sentir dores e medos,tinha um olhar penetrador,um sorriso contagiante,uma pequena pinta marrom em cima dos lábios,uma falha no canto da barba,olheira talvez de ressaca ou de insonia,um gosto incrível para artes em geral,uma opinião forte,as vezes insuportável,uma voltinha nos fios do cabelo perto da testa,criticava os outros,não sabia para onde olhar na hora de um presente,sabia os momentos certos para dizer sobre seus sentimentos,inteligente,estupido,arrogante,amoroso,o melhor ombro para chorar,para morder e arranhar,o abraço mais apertado,com cicatrizes pelo corpo,os argumentos mais convincentes , e o melhor deles, era quando descrevia seu amor por mim.
E ele se perdia nos próprios pensamentos,ele ria longamente das mentiras dos outros,inventava história,gostava do feijão em cima do arroz,preferia o sexo normal,acreditava fixamente no amor,dizia-se cavalheiro e antigo romântico,fumava de minuto á minuto,disfarçava o ciumes com antipatia,fingia não sentir dores e medos,tinha um olhar penetrador,um sorriso contagiante,uma pequena pinta marrom em cima dos lábios,uma falha no canto da barba,olheira talvez de ressaca ou de insonia,um gosto incrível para artes em geral,uma opinião forte,as vezes insuportável,uma voltinha nos fios do cabelo perto da testa,criticava os outros,não sabia para onde olhar na hora de um presente,sabia os momentos certos para dizer sobre seus sentimentos,inteligente,estupido,arrogante,amoroso,o melhor ombro para chorar,para morder e arranhar,o abraço mais apertado,com cicatrizes pelo corpo,os argumentos mais convincentes , e o melhor deles, era quando descrevia seu amor por mim.
terça-feira, 28 de maio de 2013
8.
E as lagrimas caíram pelo meu rosto , como se nada mais em volta existisse.
Seus olhos perdidos e o gosto de bebida , ainda estavam em você , e a esperança de que tudo ficaria bem secaram minhas lagrimas , como um tapa na cara.
Seu corpo encarando o meu , enquanto me descobria com a velha coberta e eu me divertindo com a tal admiração. O som do velho filme de faroeste ao fundo , não fazia nenhum sentindo para tal momento. Os dedos entrelaçados , os olhos fixados uns no outro , e o toque e a paixão inexistente , apenas a descoberta , apenas a sensação do coração acelerado , por ser encarada por aqueles olhos castanhos com certas histórias misteriosas e tão abertas para mim. Como se o desejo da carne fosse menor diante de tanta necessidade daquela vaga certeza , aquela necessidade de encontrar no olhar do outro a tal certeza de que tudo daria certo . E nem mesmo as palavras , os clichês , responderiam por aquela sensação . E eu sabia , que seria difícil permanecer longe de tudo aquilo , de toda a incerteza , de todo o medo . Pois, não se sente tão bem uma pessoa apenas com o olhar , e quando você encontra , é difícil largar.
E as lagrimas caíram pelo meu rosto , como se nada mais em volta existisse.
Seus olhos perdidos e o gosto de bebida , ainda estavam em você , e a esperança de que tudo ficaria bem secaram minhas lagrimas , como um tapa na cara.
Seu corpo encarando o meu , enquanto me descobria com a velha coberta e eu me divertindo com a tal admiração. O som do velho filme de faroeste ao fundo , não fazia nenhum sentindo para tal momento. Os dedos entrelaçados , os olhos fixados uns no outro , e o toque e a paixão inexistente , apenas a descoberta , apenas a sensação do coração acelerado , por ser encarada por aqueles olhos castanhos com certas histórias misteriosas e tão abertas para mim. Como se o desejo da carne fosse menor diante de tanta necessidade daquela vaga certeza , aquela necessidade de encontrar no olhar do outro a tal certeza de que tudo daria certo . E nem mesmo as palavras , os clichês , responderiam por aquela sensação . E eu sabia , que seria difícil permanecer longe de tudo aquilo , de toda a incerteza , de todo o medo . Pois, não se sente tão bem uma pessoa apenas com o olhar , e quando você encontra , é difícil largar.
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